A minha crónica, a terceira na “Defesa”, começa com uma pergunta muito simples: será assim tão difícil sorrir?
Não são poucas as vezes que, por exemplo, numa caixa de supermercado, num café, numa pastelaria ou no talho, fico de coração cheio quando sou atendido com simpatia e um sorriso genuíno. Também não são raras as vezes que, perante a antipatia e comportamento cinzento de quem deveria ter a missão de agradar ao cliente, eu decido nunca mais voltar a consumir naquele lugar. Numa perspetiva mais intimista, é totalmente diferente falar com um amigo ou um familiar que se expressa com um sorriso espontâneo do que com alguém que exterioriza arrogância, agressividade ou egocentrismo.
Um sorriso vale mil palavras, tem a qualidade natural de nos alegrar o dia. “Sorrir é revelar ao mundo a luz que habita no nosso interior”, disse alguém. Acrescento que sorrir é dar a alguém um pouco de nós e iluminar aquela alma que, quiçá, está frágil, triste ou abandonada de sentimentos. “Sorrir é o idioma universal que todos entendem sem precisar de tradução”, escreveu outro autor. Mais uma frase que ilustra o que muitas vezes confidencio aos meus botões. Fico tão bem, mas tão bem mesmo, quando recebo uma mensagem sem palavras de um ente querido que o céu fica num azul inimiginável e o mundo soberbamente cor de rosa. Recentemente, alguém muito especial sorriu-me de uma tal forma que entrei no sonho mais encantador.
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