- Nos Estados Unidos, um idiota matou, a tiro, outro idiota. Logo se ouviram vozes a dizer que sim, que tinha sido bem-feito, porque este defendia a proliferação do uso de armas de fogo e que, em situações semelhantes, se mostrara a favor de quem praticava actos violentos; que aquele era um herói, que lhe deu o que merecia. Tudo mal, de um lado e do outro da idiotice. Porque está visto que o uso livre de armas nunca pacificará e porque, ainda assim, isso não justifica que quem está na trincheira oposta conquiste o direito de se autoproclamar herói e disparar contra quem quer que seja. O mundo está a perder a noção de razoabilidade. Uma discussão no trânsito, que antes acabava com dois insultos, um manguito ou, no limite, tabefes mútuos, agora facilmente descamba para balas ou facadas. O mesmo se aplica à violência doméstica e/ou entroncamentos passionais, que não raras vezes culminam em corpos sepultados. Não vale tudo. Ou não devia valer.
- Independentemente do que tiver acontecido ontem, de madrugada, no Portugal – Colômbia (escrevo a crónica antes de acontecer o jogo, como podem imaginar), esta Selecção Nacional de voleibol masculino tem já o mérito de voltar a atrair a atenção do público para a modalidade. E que bons resultados isso proporcionou no Mundial da Argentina, em 2002, o último em que tínhamos participado! Em 2025, é nas Filipinas que a equipa de João José se tem superado, com uma vitória inequívoca frente a Cuba e uma derrota digna contra os Estados Unidos, ambos superpotências nestas andanças. Curioso é que Portugal joga sem a sua principal estrela, o lesionado Alexandre Ferreira, a fazer lembrar a épica final no Europeu de futebol sem Ronaldo. E, já que falamos em memórias, há outras que esta participação tem trazido, como as das noites em claro para ver o Miguel Maia e o João Brenha brilharem em Atlanta. Será que ganhámos à Colômbia e há mais madrugadas de voleibol a chamar por nós? Que a Federação Portuguesa de Voleibol e os clubes saibam capitalizar este Campeonato do Mundo (transmitido em sinal aberto pela RTP) em novos praticantes, novos públicos, novos patrocínios.
- Um estudo sueco (curiosamente, o país de origem do Spotify) concluiu que, enquanto jovens, ouvimos música por ser popular, moda ou tendência cultural. Na transição para a idade adulta, tentamos variar estilos e descobrir artistas. Já a partir da meia-idade, apesar de não descartarmos pontuais novidades, damos preferência às “músicas de nossa vida”. Ou seja, tornamo-nos mais nostálgicos, menos abertos. O que me suscita duas reflexões breves: uma, de que estes mecanismos poderão facilmente ser transpostos para outras realidades que não a música – à medida que envelhecemos, é normal não só haver afunilar de preferências, como tentarmos que essas preferências nos levem de volta à flor da idade; outra, de que é bem provável que as plataformas de streaming adaptem os algoritmos de recomendação a estas conclusões – e isso significará mais preguiça na procura de outros músicos que não os óbvios.
A inteligência artificial e as nossas vidas
A Inteligência Artificial ou, como agora se diz, a IA tem já dezenas de anos. Acontece que só nos últimos...






























