Homem cheio de energia, brincalhão, sorriso terno por vezes travesso e ingénuo. Pequeno em estatura, mas isso nunca o incomodou até porque sempre dizia “os homens não se medem aos palmos”.
Nascido no Norte de Portugal, parte ainda menino para Lisboa para seguir estudos numa Instituição Militar. Essa foi a sua família alargada que lhe deu tantos ensinamentos e lhe fomentou o espírito de equipa, solidariedade e partilha. A ela tudo devia: a formação, as oportunidades, as amizades sinceras e sólidas que permaneceram pela vida fora. Regressou a casa mais cedo do que esperava porque, num exame de rotina lhe foi detetado um problema cardíaco que se afigurava muito grave. O seu coração era grande demais e, em tempos em que a medicina ainda estava em fase da descoberta, seria melhor regressar a casa. Felizmente estudos mostraram que não era bem assim e foi autorizado a regressar. Regresso em glória! Muito acarinhado por todos e com o título “o Homem de enorme coração”. Assim, substituiu a alcunha anterior “o massas” por adorar massa. Este novo título assentou-lhe muito bem: não era apenas a grandeza do coração, a nível físico, mas também pela sua imensa generosidade e empatia.
Comunicativo e curioso eram duas facetas muito marcantes da sua personalidade. Quando viajava de comboio, passado um bocado, já se tinha apresentado, contado a sua estória e, mais importante, como ele dizia já sabia o nome dos passageiros ao seu lado, as suas estórias de vida que o levava a exclamar no final da viagem – “o que eu aprendi hoje com estas pessoas tão sábias e tão simples”. Se as pessoas o encantavam, também elas ficavam encantadas com ele.
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