1 – A descoberta do Brasil pela expedição de Pedro Álvares Cabral ocorreu há exatamente 525 anos, em tempo pascal. No dia 22 de abril de 1500 alguns dos homens pisaram terra, para um primeiro encontro amigável dos povos de dois continentes separados por um oceano. Ao lugar deram o nome de Porto Seguro, hoje cidade turística do Estado da Bahia, especialmente vocacionada para receber os festejos da celebração dessa data matricial. Data que se tornou, oficialmente, o Dia da Comunidade Luso-brasileira por força da Lei nº 5270 de 22 de abril de 1967, (a chamada “Lei da Amizade” da iniciativa do Senador Vasconcelos Torres), a que Portugal deu pronta reciprocidade.
Porém, como sabemos o Direito só tem a força que lhe dão os seus destinatários e, neste caso, o Dia da Comunidade Luso-brasileira foi sendo esquecido pelos dois Estados e tornou-se uma festa da sociedade civil, dos imigrantes de origem lusa no Brasil, com significativo apoio em alguns municípios e Assembleias Estaduais. Entre nós, a data tem sido, regra geral, pura e simplesmente ignorada. Enquanto Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, na meia década de oitenta, tentei remar contra a maré, organizei comemorações oficiais em cidades como Guimarães, Ponte do Lima, Belmonte, mas, que depois que deixei o Governo, há quase quatro décadas, não mais houve interesse governamental em continuar esse legado. E, por isso, deste lado do Atlântico, o 22 de abril, vem sendo, quando muito, festejado num pequeno círculo associativo…
2 – Em 2025, a Associação Mulher Migrante (AMM) promoveu a comemoração deste dia no auditório do FACE, com o patrocínio da Câmara Municipal e a presença e participação da Presidente Dra Maria Manuel Cruz. A iniciativa tornou Espinho um caso singular, um exemplo a ser seguido, nomeadamente, nos Concelhos onde já existe grande número de imigrantes brasileiros – trabalhadores, empresários, estudantes… – quase todos aparentemente bem integrados. Este é, também, o dia deles, o dia de publicamente lhes darmos voz e visibilidade, de manifestarmos a alegria de os vermos felizes na nossa sociedade.
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