Cada vez que Donald Trump acorda e, enquanto trata das suas necessidades fisiológicas, escreve mais um disparate nas redes sociais, o efeito sente-se do outro lado do mundo em forma de fome, dor ou morte.
É o famoso efeito borboleta adaptado à actualidade, mas com uma agravante: enquanto o bichinho protagonista da Teoria do Caos desconhecia que o seu bater de asas poderia provocar uma catástrofe no outro lado do planeta, o presidente dos Estados Unidos da América sabe perfeitamente o tipo de consequências que as frequentes diarreias mentais de que padece podem espalhar pelo globo. Sabe. Mas não quer saber.
Não quer saber, por exemplo, que mais alguém possa ficar privado de alimento. A ONU acaba de alertar que a relevância do fecho do Estreito de Ormuz vai muito para além dos produtos energéticos. A rota serve, também, para passagem de fertilizantes (um terço dos que são transportados em todo o mundo), fundamentais para a normalidade alimentar em inúmeros países. Se o Irão não reabrir o Estreito, é mais do que provável uma escalada no preço dos alimentos essenciais. E mais do que provável que escasseiem na mesa de quem já pouco (quase, quase nada) lhes consegue aceder.
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