Quando a tormenta ou tragédia, bate à porta, seja ela física ou emocional, ficamos sem chão. A expressão “ficar sem chão” é uma metáfora centrada na ideia de que nada do que seria previsível ou imaginado corresponde à realidade sentida. “Ficar sem chão” indica uma reação de desamparo e desequilíbrio, perda de referências pois o chão representa firmeza, estabilidade e segurança física. A perda da base emocional e de controlo sobre a própria vida acontece por ausência de um pilar de segurança.
O mundo parece então desabar e, se a solidariedade dos outros é bem vinda, logo mais, chega a hora de trilhar per si o caminho da reconstrução, onde as dificuldades, os sonhos, irrompem sombrios no palco da vida onde cada um é o protagonista maior. Depois, há a sensação de abandono que é outra violência a acrescentar à violência inicial, carregada de dor inexplicável. Poderão questionar: está a referir-se aos recentes e trágicos desastres naturais que destruíram bens material e trouxeram perdas a nível emocional? Cada lugar destruído é uma memória irrecuperável, os objetos que fizeram parte de vidas, agora vazios e sós, perderam sentido. Sim, tenho também no pensamento essa catástrofe que demorará a esquecer mesmo depois da reconstrução. As memórias do antes, do agora e do futuro acompanharão estas pessoas atingidas na primeira pessoa. Nós, solidários com os problemas, sentimos tristeza, compaixão, tentamos ir ajudar, mas depressa tudo esquecemos. Alheamo-nos, de consciência tranquila porque fizemos algo a merecer o nosso próprio consolo. Refiro-me também à guerra entre países que entrou nas nossas vidas pelo grande ecran em destruição e mortes. Tudo parece surreal e caótico, e nós, sentimos que estamos perante um cenário em que a compaixão parece render-se aos interesses económicos, aos egos de gentes grandes e poderosas onde o poder absoluto prevalece e tudo controla.
Aparentemente apresentamo-nos bem, mas interiormente a tormenta pode surgir como descontrolo, destruição, ou simplesmente como criação fenomenal. A catarse da dor pode extravasar e trazer surpresas inesperadas.”
Subscreva a Defesa de Espinho
Esta é uma noticia premium. Por favor subscreva para ter acesso ao artigo completo.
Assinatura
Aceda a todo o conteúdo premium.Mais de 100 artigos.
Acesso ao arquivo Defesa de Espinho
Desbloquear Artigo
Desbloqueie apenas os artigos que pretenda.Tenha acesso permanente aos mesmos.































