A noite ia longa e o céu estrelava como não se vê nas grandes cidades. Dois ou três ou quatro copos de vinho, cinco ou seis ou sete estórias contadas entre amigos-que-são-colegas (ou colegas-que-são-amigos, nunca sabem por que ordem expor a relação), inspiração nos píncaros para passar a canção “aquele” episódio que há meses andava a cutucar as profundezas do pensamento.
Por mais de mil e um motivos, mais de mil e uma noites, o lugar era especial. Tão especial que ele próprio gritava que tinha de ser ali, a canção tinha de ser escrita ali. Em minutos, em poucos minutos, como pode testemunhar a lua que impunha reflexo no rio, a letra estava escrita. Qual catarse, o autor libertava-se, finalmente, do hipócrita que lhe assaltava as ideias e que, por notas musicais, ia ser denunciado ao mundo.
A experiência era quase visceral, naquele momento quebrava-se o feitiço. Papel, caneta, a recordação passa a ficção baseada em factos verídicos, com pozinhos metafóricos a salpicar a narrativa.
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