A oliveira sempre esteve ali, bem perto da casa dos meus pais. Ao olhá-la, já adulta, recordava com alguma nostalgia tempos de menina onde, sob a sua sombra, brinquei com os meus irmãos. Tantas vezes ela foi palco de travessuras onde a aventura prometia descobertas desafiantes: subir por ela acima, rodearmos o seu trono em braços estendidos para a abraçar, inicialmente sem sucesso, mas com o tempo, íamos conseguindo, mês após mês, e riamos triunfantes porque tínhamos crescido! Como ela era feliz! Tenho a certeza disso, bastava olhar as suas folhas viçosas, sempre a sorrir. Segredávamos os nossos desejos e principalmente os nossos problemas sentindo que eram os maiores do mundo. Ao final do dia, a nossa mãe chamava-nos. Era hora de regressar a casa. Despedíamo-nos dela, já a pensar no dia seguinte. Se fechar os olhos, ainda hoje oiço, ao longe, de forma ritmada, a lenga-lenga cantada na hora da brincadeira da escondidinha : “ Pico, Pico, saramico, quem te deu tamanho bico? Foi o Pico pico Sarapico, quem te deu esse bico? Foi o filho do Luís que está preso pelo nariz. Salta a pulga da balança dá um pulo até à França. Os cavalos a correr, as meninas a aprender. Qual será a mais bonita que se irá esconder?”
A oliveira está sempre no nosso imaginário e, não é por acaso, que se tornou símbolo da paz. Paz que está cada vez mais nebulosa neste começo do Novo Ano.
Esta árvore é reverenciada há milénios, em diversas culturas e religiões, não só como símbolo de paz, mas também de sabedoria, fertilidade, esperança e renovação. Ela não é uma árvore qualquer, mas um símbolo que inspira união e sustentabilidade. Daí, em 2019, a UNESCO, ter designado o dia 26 de novembro como o Dia Mundial da Oliveira, homenagem a uma árvore que atravessa civilizações, gerações e culturas. Sim, a sua importância remonta a tempos antigos, aparecendo a sua imagem em textos religiosos e mitológicos como um sinal de reconciliação. Muitos se lembrarão do Jardim do Getsêmani, composto por oliveiras milenares, localizadas na encosta do Monte das Oliveiras. Segundo os evangelistas Mateus e Marcos, foi o lugar onde Jesus foi traído por Judas e preso enquanto orava com seus discípulos após a Última Ceia. Já no final do III século, Getsêmani era considerado um lugar de oração pelos cristãos. Depois, já adulta, parti para ir viver, longe da minha terra, em geografias diferentes mas todos os anos em férias regressava à minha terra e à minha oliveira. Via-a da janela da sala de estar e, à memória, chegavam as doces lembranças que perduraram no tempo.
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