Tenho de ir já para o Serviço de Urgência! Isto está mesmo mal. Quando esta decisão é tomada, é porque a coisa está feia, muito feia. Antes, lembrei-me: ligar para o SNS 24. Sim, resultou! Cheguei ao Centro de Saúde e dou entrada no sistema. Mais tarde, sou observada. Eram sete horas da manhã. No meu jeito sempre positivo, confirmo para mim própria: vou ficar bem. A sentença não foi a expectável: terá de ir já para o hospital distrital.
Então, reajo: vou já buscar o meu carro. Não entendeu, respondeu a médica, olhando-me com alguma indignação. Vai na ambulância e já. Esperem, tenho quem me leve! A ambulância não me traz boas recordações.
Quando cheguei, foi só entrar, tudo muito eficiente. Depois, a espera foi interminável. Tanta pressa, para ficar pendurada numa sala repleta de pessoas, também elas desesperadas. Já não me dói nada, posso ir embora devagarinho, sem ninguém saber … não, infelizmente, tenho muitas dores. A sala está repleta e os corredores alinhados. Tudo me parece estranho. Olho para os vários rostos que me circundam: parecem estar piores do que eu. Não, há mais adiante uns que parecem vender saúde. Como estarei eu aos seus olhos? Não acredito que alguém esteja interessado neste exercício. Só eu, talvez porque tenho de me entreter com qualquer coisa. Resta-me começar a elaborar um esboço para memória futura e concretizada numa narrativa.
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