A 22ª edição do FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema arrancou na tarde de 21 de junho com a exibição do filme Yellow Letters, de İlker Çatak, vencedor do Urso de Ouro na Berlinale 2026.
Na cerimónia de abertura, que se realizou no Centro Multimeios, a direção do festival recordou o impacto, cada vez mais evidente, da política nos eventos culturais, como o Campeonato do Mundo de futebol que decorre, defendendo que “este torneio parece uma prova clara de que o desporto internacional se encontra mais do que nunca dentro da área da política” e também o Festival da Eurovisão.
Admitindo que não acompanhou o evento, devido à preparação da edição deste ano do festival, a direção do FEST não esconde que sabe “dizer exatamente quais os países que se retiraram em protesto quanto à participação de Israel”, provando que “mais uma vez, uma das maiores celebrações de música e cultura do mundo tornou-se inequivocamente política”.
Para André Guimarães, vereador da cultura da Câmara Municipal de Espinho, “o Fest é muito mais do que uma programação de cinema”, defendendo que “é uma plataforma de descoberta de novos talentos, de formação, de partilha e de afirmação artística”.

Para o vereador, a edição deste ano, que decorre até 28 de junho, “apresenta uma programação forte, diversa e contemporânea, marcada por filmes que refletem algumas das inquietações do nosso tempo como a liberdade artística, a censura, a pressão política, a vigilância, a burocracia, o envelhecimento e fragilidade social e condição humana”.
Recorde-se que no Grande Prémio Nacional, uma das mais importantes secções competitivas do festival espinhense, estão em destaque 22 curtas-metragens, como é o caso de A hora do Chico, dos realizadores portugueses Rafael Sá Carneiro e João Severo que trazem uma “obra ousada” e que “transporta para o período do Estado Novo através de um programa televisivo infantil”.
Para a Competição Lince de Prata, o FEST apresenta dez curtas e médias metragens, destacando Hyena, de Altay Ulan Yang, “uma viagem frenética por uma escola antes de um exame decisivo”, e Loynes, de Dorian Jespers, que é “uma reconstituição kafkiana de um julgamento no século XIX em Liverpool, onde lógica e absurdo se cruzam em tribunal”.
Já a seleção para o Lince de Prata de Animação conta, este ano, com 13 nomeados. God is shy de Jocelyn Charles, La Petite Reine Blanche de Théo Hanosset ou Mother’s Child de Naomi Noir são penas alguns exemplos.































