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Moreira dos guarda-chuvas, um legado do comércio espinhense: “O meu pai meteu-me uma mala na mão e passava oito a nove meses em Lisboa a vender”

Manuel Miranda Moreira nasceu em Espinho em 1936, altura em que o pai adquiriu um espaço na rua 19 para criar um negócio na indústria de guarda-sóis que criou cinco anos antes. Mas foram os guarda-chuvas que vieram a torna-lo, no meio empresarial, como um dos mais conhecidos e uma referência no país. Homem de sete ofícios, com quase 90 anos, praticou caça submarina, mergulho, comprou barcos e aprendeu música. Multifacetado, é um dos comerciantes mais antigos e respeitados da cidade e que serviu, durante anos, a Associação Comercial de Espinho.

por Manuel Proença
08-05-2025
em Destaque
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Começou a trabalhar muito cedo?
Nasci em Espinho e aos 15 anos comecei a trabalhar enquanto estudava. Andei na escola até ao 5º ano, que equivale ao atual nono. Nessa altura os estudos terminavam por aí e só quem pretendia ir para a Universidade é que fazia o 6º e o 7º ano. Curio­samente, até gostava de estudar, mas foi a minha irmã, que tem mais cinco anos, que prosseguiu os estudos e foi professora.

Como foi que se iniciou o ne­gócio dos guarda-chuvas?
O meu pai comprou um espaço que era uma padaria, na rua 18, entre as ruas 15 e 19 e montou uma fábrica. Na sala do forno, o meu pai aproveitou para fazer o quarto dele.
Além da fábrica de guarda­-chuvas, tinha feito uma socie­dade numa fábrica de camisas.
Aos 15 anos vim trabalhar com o meu pai nos tempos livres e nas férias ajudava nas vendas porque era a altura em que se vendiam mais artigos para fora. Chegávamos a trabalhar das oito da manhã à meia-noite. Eram outros tempos, mas tínhamos grande consideração pelos tra­balhadores pois oferecíamos o almoço e o jantar.

Ficaram sempre nesse espaço?
Quando nasci, o meu pai com­prou o edifício na rua 19, onde estamos atualmente e fez lá a fá­brica. Tirei o curso de corte de ca­misas numa empresa em Lisboa e ensinei umas raparigas.
O meu pai meteu-me uma mala na mão, com guarda-chuvas e camisas e passava oito a nove meses em Lisboa a vender, já que tínhamos lá mais de 100 clientes. Ia para a Pensão Ibérica, que era na Praça da Figueira e pertencia a pessoas de Espinho. Era tratado como um filho e não como um hóspede.

Entretanto fez 18 anos…
Nessa altura, o meu pai deu-me um carro para trabalhar e passei a levá-lo para Lisboa. Estacio­nava o carro carregado de malas, à vista e ninguém tirava nada de lá. Nunca partiram vidros e nunca me fizeram nada. Lisboa, nessa altura, era uma cidade muito tranquila. Durante a viagem para a capital, visitava clientes em Aveiro e em Coimbra.
Entretanto, fui chamado para a tropa, numa altura em que nin­guém escapava. Estava a aproxi­mar-se a guerra de Angola. Fiz a tropa e vim um ano para casa. Resolvi casar e quando já tinha tudo tratado, fui chamado outra vez, para o serviço militar por causa da guerra. Como era o ter­ceiro classificado do meu curso, escolheram-me para dar cursos e tive a sorte de não ir para fora.

No final da tropa voltou a traba­lhar com o seu pai?
Nessa altura, o meu pai resolveu deixar o negócio dos guarda­-chuvas e dedicar-se só à cami­saria, no Porto, porque tinha um volume muito grande de clientes de camisas. Ele era muito bom ca­miseiro. Deixou-me ficar em Es­pinho com o pessoal e, com o au­xílio do meu sogro, comprei o que restava da casa. Tive de começar uma nova vida. Como tinha uma qualidade muito grande, apareceu muita gente a oferecer coisas para poder trabalhar.
Trabalhei durante dois anos e os meus clientes em Lisboa eram muito fiéis. Por isso, recebe­ram-me muito bem. Os meus co­legas que faziam guarda-chuvas começaram a dizer que eu tinha acabado e quando cheguei, os clientes ficaram muito aborre­cidos com os meus concorrentes.
Vendemos muitos artigos. A minha mulher ajudou-me muito e os meus colaboradores, que eram impecáveis, também foram incansáveis nesse processo.

Fotografia: Isabel Faustino/Defesa de Espinho)

“Em dois meses comprei um Fiat Abarth. Com seis meses, comprei um terreno no Algarve e, com outros seis meses, fiz uma casa no Algarve”

Manuel Miranda Moreira

Chegou a trabalhar numa em­presa de guarda-chuvas no Porto?
Várias fábricas uniram-se e mon­taram uma grande empresa no Porto. No entanto, precisavam de 100 pessoas para fazer aquilo que eu fazia com 25. Tinha me­canizado a minha fábrica e esse era o meu grande segredo. Tinha um amigo que fazia os moldes para os plásticos. Comecei a ter umas ideias e perguntei-lhe se seria possível fazer moldes para mecanizar a produção dos meus produtos. Ele fez umas peci­nhas e, enquanto os meus co­legas produziam manualmente, passei a fazê-lo com máquinas. Por exemplo, juntava o tecido às pontinhas dos guarda-chuvas através de máquinas. A concor­rência foi surpreendida por não conseguir fazer aquilo que eu fazia, até em questão de preço.

Como foi trabalhar para os concorrentes?
Vieram propor que levasse o meu conhecimento e a tecnologia para a grande empresa no Porto. Con­cordei e levei comigo algum do meu pessoal. Eles tinham trans­porte grátis e todas as regalias, nomeadamente o almoço, lanche e médico.
A partir daí comecei a visitar fábricas na Alemanha, Itália e França. Chegávamos a fazer, nessas viagens, sete mil quiló­metros de carro. Comprávamos muito material e vendíamos muito, sobretudo a uma empresa alemã que era muito conhecida na produção dos guarda-chuvas.
Por dia, produzíamos cerca de mil guarda-chuvas para vender no nosso país, mas fazíamos mais quatro mil, sendo dois mil para a Alemanha. Um guarda-chuva precisava de quase dois metros de tecido, fora as armações e os cabos. Tudo feito na minha secção. Recebia as encomendas e faziam-se mapas, programando a produção e a entrega com um ano de antecedência.

Mas compensava-lhe esse trabalho?
Pagavam-me aquilo que nem o Presidente da República ga­nhava. Um bom contabilista ga­nhava 1600 escudos [cerda de oito euros] e pagavam-me 55 contos por mês [cerca de 250 euros]. Em dois meses comprei um Fiat Abarth. Com seis meses, comprei um terreno no Algarve e, com outros seis meses, fiz uma casa no Algarve.
Veja o que me deram só para lhes dar a tecnologia! Até os alemães e os franceses ficavam admi­rados como é que nós tínhamos conseguido dar um salto tão qualitativo.

Foi possível lutar contra o mer­cado internacional?
Os chineses vendiam um guar­da-chuva pelo preço que eu com­prava um cabo. A partir daí, vi que não tínhamos chance. Ou reduzimos ao pessoal, ou só tra­balhamos com artigo muito bom para fazer concorrência a esse mercado. Mas como os meus sócios tinham a sua maneira de ser, tudo ficou mais complicado. Eu não concordava com eles e sugeri importarmos as arma­ções e os tecidos chineses, para os montarmos cá. Eles não qui­seram. Queriam importar tudo e eu não via o que fazer com os trabalhadores.
Sugeri que me dessem o meu di­nheiro. Avisei os meus funcioná­rios, aqueles que mereciam, que arranjassem emprego, porque aquilo não iria durar mais do que quatro anos. Não acertei nas previsões, mas só aguentou seis anos.

O que fez depois disso?
Tinha tirado um curso de órgão da Yamaha e resolvi montar es­colas de música. O meu filho Pedro Moreira ganhou um con­curso em Paris nos 100 anos da Yamaha. Ele não pôde ir ao Japão porque tinha 15 anos e deram­-lhe um órgão que custava 5000 contos [25 mil euros] para o com­pensar. Mais tarde, a ser cha­mado para demonstrações dos órgãos da Yamaha. Perante isso, montei as escolas em Espinho, Leiria, Famalicão e na Maia. Mas mais tarde vi que não podia ficar com tudo e vendi as escolas, fi­cando apenas com a de Espinho.

Passou a ter uma casa que vendia guarda-chuvas e era uma escola de música?!
Esta casa funcionou durante muito tempo só com venda de guarda-chuvas e guarda-sóis.
Montei a primeira escola de música com um senhor que tinha sido padre. Era um músico e só via o negócio nessa perspetiva. Mas eu queria vender instrumentos de música. O homem deitou as mãos à cabeça. Paguei-lhe a quota na sociedade e avancei com o pro­jeto sem deixar de ter a escola. Passei a ter, como sócios, a minha mulher e os meus filhos.
Ainda arranjei uma loja na rua 19, acima da rua 26, num pequeno centro comercial, mas era uma coisa pequenina. Mudei para esta loja na rua 19 abaixo da rua 18, que é minha. Foi desde essa altura que comecei a vender os instrumentos musicais.

Mas a loja tinha as dimensões atuais?
A antiga casa caiu quando foi construído o prédio ao lado. Ainda pensei deixar de vender os guarda-chuvas, malas e carteiras e dedicar-me só aos instrumentos. Arranjaram-me um espaço provi­sório na rua 15, enquanto a casa estava em reconstrução.
Quando voltei para este espaço, ainda tinha uns porta-moedas, umas carteiras, uns guarda­-chuvas e coloquei-os na montra. O que é certo é que vendi bem. Disse à minha família que se o supermercado vende tudo, não sabia porque é que nós também não poderíamos vender o que nos apetecesse! Dividimos o espaço, deixando um local para o tradicional e o restante para os instrumentos e para a escola de música. Felizmente vendemos os guarda-chuvas, que são muito conhecidos e que são produzidos por uma fábrica que os faz espe­cialmente para mim. Não se jus­tificava deixar para trás algo que era de raiz desta empresa.

Em 1994, na sequência de obras no prédio ao lado, a casa e a loja ficaram destruídas, ficando de pé a fachada (fotografia: DR)

Chegou a vender outros produtos?
Vendíamos chapéus, gabardinas e camisas. Todos vinham aqui para fazer colarinhos especiais. Tinha clientes fidelizados porque fa­zia-lhes as camisas que queriam.
Mas vendíamos sapatos, peúgas, meias de senhora, collants, cuecas, guarda-sóis de praia que fabricávamos na empresa, tendas de praia e tapa ventos. Vendíamos de tudo um pouco.
Em determinada altura, algumas casas comerciais passaram por dificuldades e começaram a vender para fora e a vender para as feiras. Isto provocou uma crise, porque não tinha como fazer concorrência a esses preços. Tive de me demarcar e fui reduzindo no lucro porque a feira atacava-me diretamente.

Com o negócio em plena rua 19 é uma vantagem para o comerciante?
Há agora um problema muito grande. As pessoas até vêm aqui para ver uma guitarra, pedem para experimentar, mas acabam por comprá-la através da Internet a empresas que apenas têm três empregados para distri­buir milhares de produtos pelo mundo! As pessoas nem se lem­bram que não podem reclamar. Não posso competir com essas empresas. Isto levou ao encer­ramento de muitas empresas. Por isso, optámos por adquirir instrumentos mais económicos, para iniciação. É isto que ven­demos bem.
Por outro lado, vendemos mate­rial para os instrumentos, como cordas para guitarras, que apli­camos sem custos adi­cionais para o cliente e ainda afi­namos o instrumento. É isto que nos diferencia.

“Pagavam-me aquilo que nem o Presidente da República ganhava. Em dois meses comprei um Fiat Abarth. Com seis meses, comprei um terreno no Algarve e, com outros seis meses, fiz uma casa no Algarve”

Manuel Miranda Moreira

Sente orgulho por ter uma das casas mais antigas na rua 19?
Esta é, na verdade, uma das mais antigas empresas na rua 19 porque já vem do meu pai desde 1931. Já tive propostas para ar­rendar a loja, mas não o fiz por uma questão de orgulho. Estou a perder dinheiro porque até po­deria estar a ganhar 8000 euros por mês com o arrendamento deste prédio. Estamos aqui há 90 anos, enquanto outros co­merciantes decidiram arrendar os seus estabelecimentos. Para mim, é motivo de orgulho.

Como foi para a Associação Co­mercial de Espinho (ACE)?
O meu pai sempre foi uma pessoa muito ligada ao associativismo e gostava muito de Espinho. Da­va-se muito bem com o comen­dador Manuel de Oliveira Violas e com outras pessoas da socie­dade espinhense, inclusive com o fundador da Defesa de Espinho, o Benjamin da Costa Dias. Era um homem muito dinâmico.
Fui acompanhando a ACE, aju­dando no que podia e quando precisaram de um presidente da assembleia geral vieram ter comigo e aceitei.
Sempre estive ligado à ACE porque, ao contrário de alguns comerciantes, acho que devemos ser conscientes. Não nos de­vemos afastar por causa desta ou daquela pessoa, até porque se trata de uma instituição.

O que quer dizer com isso?
Embora possam dizer o que qui­serem do atual presidente, o que é certo é que a ACE tinha um pe­queno andar na rua 26 que não tinha condições e agora tem uma sede, que é a melhor do país. In­clusive já se comprou a parte in­ferior. Portanto, o prédio é todo nosso. Há uma coisa que me deu gozo: assisti a muitas reuniões e nunca houve nenhuma voz dis­cordante. Tudo era aprovado por unanimidade. Ninguém tem de se queixar de nada. Se há quem tenha queixas a fazer, era ali que tinham de dizer as coisas.
Atualmente saí porque a socie­dade é dos meus filhos, mas o mais velho foi ocupar o meu lugar e é vice-presidente da as­sembleia geral.

O atendimento ao balcão, lidando com os clientes, ainda é algo que Manuel Moreira gosta de fazer (fotografia: Isabel Faustino/Defesa de Espinho)

“Esta é uma das mais antigas empresas na rua 19 porque já vem do meu pai desde 1931. Já tive propostas para arrendar a loja, mas não o fiz por uma questão de orgulho”

Manuel Miranda Moreira

Mas aos 89 anos ainda anda pela empresa!
Os meus filhos continuam a querer que esteja por aqui. Faço a escrita, pagamentos e compras. Eles querem que faça isto porque sabem que está tudo certinho.
Acha que teria uma vida ativa se estivesse sentado na cadeira a olhar para a televisão?! Estava desgraçado.
Toda a vida trabalhei, fiz mer­gulho, caça submarina, faço pesca e tenho um barco. Cheguei a ter um veleiro, que era a minha paixão, mas tive de o vender porque não podia andar nele por causa das dores nas costas.

Há também uma vertente des­portiva na sua vida…
Sou um academista e joguei hóquei em patins com o Lito Gomes Almeida e o Vladimiro Brandão. Ganhámos vários cam­peonatos do Norte e só não ven­cemos o Nacional porque fomos roubados em Lisboa. Acabei por criar a secção de caça submarina no clube e a pesca. Fiquei muito triste quando soube que não tinham taças de pesca no espólio do clube! Demos imensas taças em prata e não sabemos onde param!

Como é que se meteu na vela e no mergulho?
Pescava no mar e fazia os con­cursos da Académica de Espinho e percorria o país. Apaixonei-me pela ria de Aveiro e comprei um pequeno barco em sociedade com dois amigos. Fui aprender vela, comprei um veleiro antigo e restaurei-o. Comecei a entrar em competições e a ganhar taças. A minha mulher era skipper [fun­ções de capitã] e eu tratava das velas. Também o vendi mais tarde e comprei um barco a motor.

E a paixão pelo mergulho?
Fazia caça submarina com o Ramón e com o professor Bino. Um dia decidi que tinha de aprender mais qualquer coisa sobre mergulho. Conheci o Vítor que era um dos melhores mergu­lhadores portugueses e que dava cursos gratuitos. Eram jovens e tive de me esforçar imenso. Cheguei a fazer 50 piscinas com garrafas e com todo o material. Saltava de oito metros de altura para a água carregado com o equipamento. Passei no curso e depois incentivei o meu filho, José Manuel, a tirar o curso e, mais tarde, o meu filho Pedro. Cheguei a ir ao submarino a 40 metros de profundidade que está ao largo de Matosinhos. A fábrica onde trabalhava era muito perto da piscina do Fluvial e o Vítor conseguiu convencer-me a ir lá à hora do almoço para encher as garrafas para os cursos. Por isso, acabei por ser instrutor de material da Federação. Fomos mergulhar a muitos sítios, até ao Algarve, Faial, S. Jorge, Espanha e Marrocos.

Há algum episódio com curiosi­dade que possa contar?
Fizemos muitas pescarias. O Vítor não queria que apanhás­semos nada. Mas não lhe ligava e chegámos a apanhar marisco. Cheguei a trazer marisco para um restaurante de Espinho. Não queria dinheiro. Dava o marisco e depois ia lá almoçar. Fazíamos as contas assim.
Tinha uma casa na ria de Aveiro e íamos à saída da barra apanhar o marisco.

Fotografia: DR

“Toda a vida trabalhei, fiz mergulho, caça submarina, faço pesca e tenho um barco. Cheguei a ter um veleiro, que era a minha paixão”

Manuel Miranda Moreira

Como foi que lhe apareceu o Rotary?
Convidaram-me e fui para o Rotary Clube de Espinho. Fui pre­sidente várias vezes, fui secretário muitas vezes, tesoureiro… Mas estes grupos são muito engra­çados. Chegou uma altura em que apareceram duas fações, uma que não fazia nada e a outra que traba­lhava. Ficou a que não fazia nada e, mais tarde, recebi uma carta a demitirem-me do clube, assinada por gente que meti no Rotary!
Eles é que ficaram a perder. Deixei de gastar dinheiro todas as semanas com os jantares e com a representação do clube noutros locais. Ainda guardo as condeco­rações rotárias que recebi.

A sua ligação à marca de instrumentos Yamaha foi reconhecida?
Nos 25 anos da Yamaha, em Gra­nada, Espanha, fui o único co­merciante de Portugal convidado. Pensei que iria encontrar por lá alguns comerciantes portugueses!
É interessante terem reconhe­cido o esforço. Fiz muito por aquela marca no nosso país.
Neste momento, já não se justi­fica ser comprador direto deles. O negócio é assim mesmo.
Já fiz tantas coisas na vida que costumo dizer aos meus filhos que se for preciso transfor­mamos este negócio num tasco e passamos a vender vinho.

Como vê a cidade de Espinho atualmente?
Muito mal. Deram cabo disto. Vemos a rua 19 na miséria em que está. O ReCaFe com aqueles montes de erva e com os qua­drados com desenhos sem piada nenhuma. Foram construir um edifício para o turismo! Fizeram o edifício na praça Progresso sem cobertura! Passa o vento, a chuva e o frio. Deram cabo da­quilo tudo! Deveriam ter deixado o comboio a passar à superfície.
Aquele espaço precisava de uns cafezinhos com música e bom ambiente. Os turistas querem um sítio para beber um copo e ouvir um bocado de música. Em Gaia há isso tudo.

O que é que faz falta?
Transformar aquele espaço como era antigamente para chamar as pessoas. As pessoas andavam por ali e bebiam um copo. Não é à beira-mar com o tempo que está ao longo do ano que as pessoas vão para lá.

Qual a mensagem que gostaria de deixar aos espinhenses?
Espinho só sobrevive porque tem mar e a praia da Baia. A rapa­ziada passa por lá e vai embora. Isto para o comércio é zero! Vão ao Pingo Doce, levam o pãozinho, uma bebida e têm o problema resolvido. Espinho, comercial­mente, já não é o que era.
Comparo o que era Santa Maria da Feira há uns anos e o que é atualmente: um potentado de comércio. As pessoas que anti­gamente vinham comprar a Es­pinho já não o fazem porque já não há mais nada para lhes dar! Temos o mar ou o Casino Es­pinho, nada mais.
Em tempos, o José Mota falou comigo, para se fazer qualquer coisa na rua 19, para chamar as pessoas a Espinho. Sugeri que colocassem um pequeno palco na rua 14, junto à rua 19 para que pudesse levar lá a minha escola de música. A única contrapar­tida era a oferta de um lanche na Aipal. Passados uns meses apa­receu ali um palhaço, que andou para cima e para baixo, a fazer umas coisas, que tinha vindo da Holanda e que tinha custado 5000 contos! Nunca me vieram convidar para fazer nada.
Auguro um futuro muito mau para o comércio, isto para não falar naquilo que está a acon­tecer mundialmente!

Manuel Miranda Moreira

Nasceu em Espinho
89 anos
Casado
2 filhos
Comerciante

Uma vida repleta de hobbies e atividades

Hóquei em patins
Caça submarina
Mergulho
Vela
Pesca de mar
Viet-Vo-Dao
Carta de patrão de costa
Constrói modelos de barcos

Síntese cronológica

1931 – Manuel Pinto Moreira abre na rua 18, n.º 493, a fábrica de guarda-sóis
1936 – Mudança para a rua 19
16 de maio 1936 nasceu Manuel Miranda Moreira
1951 – Começou a trabalhar com o pai
1960 – Torna-se proprietário da empresa
1961 – Casou com Maria Elizabeth
1964 – Nasceu o primeiro filho, José Manuel
1970 – Funda a Chussol, no Porto, com nove sócios
1971 – Nasceu o segundo filho, Pedro
1980 – Tira o curso de mergu­lho no Fluvial no Porto
1988 – Funda a escola de música
1990 – Renova a loja de moda e integra a venda de instru­mentos musicais
1993 – Abre em Santa Maria da Feira a loja Musimpor
1994 – Obras num prédio na rua 19 deixam a casa e loja destruídas
1995 – A loja e a casa estão reconstruídas
1995 – Empresa adota a deno­minação Impormúsica
2000 – Começa a dar aulas de teclado na Universidade Sénior de Espinho

Etiquetas: ImpormusicaMancheteManuel Miranda MoreiraMoreira guarda-chuvas
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Manuel Proença

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Diretor

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Redação

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Opinião

Manuela Aguiar, Manuel Sancebas, Ricardo Fidalgo, Arcelina Santiago, Rita Bulhosa. e Tito Miguel Pereira

Cartunista

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Design e Paginação:

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Fotografia

Isabel Faustino, Francisco Azevedo, Sara Ferreira e Alex Pereira

Publicidade, Assinaturas e Secretariado

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Impressão

Naveprinter – Indústria Gráfica do Norte, SA – E.N. 14 (km 7,05). Apartado 121 – 4471 Maia Codex.

Tiragem média edição impressa

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