Como é que veio para Espinho?
Cheguei cá com 14 anos e vim viver para a casa de uns tios. Não tinham filhos e insistiram com o meu pai para me deixar vir. Fui trabalhar com eles para as feiras, nomeadamente para a de Espinho. Cheguei numa segunda-feira e fui vender para a feira, no local onde atualmente está o edifício do Tribunal. Era tudo ali e, depois, a feira cresceu para a parte abaixo. Mais tarde, fomos mais para sul. Tínhamos quatro lugares na feira.
A partir daí a sua vida foi de feirante…
Sim. Só em 2012 é que deixei as outras feiras, mas mantive-me em Espinho. Era muito trabalho para mim e para a minha esposa, pois também fazia as feiras dos Carvalhos, Estarreja e Murtosa. Fazer feiras mais para sul não se justificava, porque era muito longe. Saía de casa às cinco da manhã. Andei quase um mês a dizer que, qualquer dia, deixaria a feira. Até que, num domingo, disse à minha esposa que não ia montar a barraca.
Como é que ela reagiu?
Ela julgava que era só para aquele dia, mas a verdade é que no domingo seguinte também já não montei a barraca. Acabou nessa altura, em 2023. Foram 70 anos como feirante. A minha esposa adoeceu e dois anos depois faleceu.
Estava ligado à venda de tecidos?
Era o ramo do meu tio e continuei com o negócio. Melhorei algumas coisas e deixei outras. O meu tio era um pequeno fabricante, não tinha filhos. Tinham uma sobrinha sete anos mais velha do que eu e também tomaram conta dela. Essa minha prima passou a ser a minha esposa. Por isso, fomos criados nisto. O meu tio morreu nos anos 60 e a minha tia nos anos 80. Nunca mais saí daqui.
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