O documento, de acordo com o presidente da direção, Bernardo Gomes de Almeida, “está em linha com as estimativas apresentadas aos sócios no início da época”, uma vez que “as receitas geradas no período excederam em cerca de 15% a previsão do Plano de Atividades”.
“Este exercício consolida a tendência de recuperação e estabilização administrativa e financeira do clube, com uma redução substancial do passivo”, destacou o presidente, acrescentando que “existem condições objetivas para, no futuro, continuar a garantir uma prática desportiva de qualidade a cerca de 1000 atletas das várias modalidades e a reforçar a ambição competitiva dos escalões seniores nas principais modalidades do clube”.
Não obstante, Bernardo Gomes de Almeida lembrou que “as dificuldades permanecem a nível logístico”, nomeadamente no que se refere a infraestruturas que vêm “prejudicando o próprio desempenho desportivo”.
“O futebol sente a falta de instalações próprias, acumulando já sete épocas desportivas com a casa às costas, e as modalidades de pavilhão, sobretudo o voleibol, estão condicionadas com as condições da Nave Desportiva Municipal”, apontou o dirigente.
“Tínhamos uma vontade imensa de regressar ao concelho”, lembrou o presidente, acrescentando que a sua direção acabou por chegar à conclusão que “em Guetim ainda não existem condições para os jogos oficiais”.
“Em outubro de 2024 foi celebrado um protocolo entre o Município, a Junta de Freguesia de Anta e Guetim, o SC Espinho e outros clubes utilizadores do complexo”, começou por recordar.
“A verba do Município foi transferida [para a Junta de Anta e Guetim], imediatamente, após a celebração do protocolo, mas 15 meses depois ainda se encontram por iniciar ou concluir, diversas obras a cargo da Junta, como as instalações sanitárias para o público, bilheteiras, redes de proteção atrás da baliza sul, entre outros melhoramentos”, explicou.
Sobre a sociedade Espinho XXI, Bernardo Gomes de Almeida recordou que a “inércia do departamento de urbanismo da Câmara Municipal de Espinho, afetada por vários problemas do conhecimento público, prejudicou o desenvolvimento do plano e estratégia” daquela sociedade.
“A situação atual de indefinição e de não licenciamento por parte da Câmara, impedindo a concretização de negócios e a Espinho XXI de apresentar um plano de pagamento dos demais créditos, levou dois credores a avançar com ações executivas contra a Espinho XXI, já após o termo do ano fiscal, que podem comprometer o plano e a estratégia da empresa”, revelou o dirigente.
Apesar de tudo, o presidente dos tigres salientou que o relatório e contas “espelham uma gestão equilibrada, com critérios de prudência” e destacou “a redução do passivo em cerca de 100 mil euros nos últimos dois anos”.

Redução do passivo e aumento de sócios
O SC Espinho, de acordo com os números apresentados, registou um acréscimo de aproximadamente uma centena de associados até 30 de junho de 2025 e obteve um resultado líquido positivo de 2.571,40 euros. No passivo houve uma redução de 41.371,93 euros e situa-se em 369.755,67 euros.
O documento salienta que “tem sido norma, as responsabilidades ao Estado terem sido integralmente cumpridas,
tendo assim o clube em dia as certidões de situação regularizada quer na Segurança Social, quer na Autoridade Tributária”.
As contas no exercício 2024/2025 do SC Espinho, segundo o relatório, “continuam a refletir o impacto negativo do esforço financeiro de há vários anos o clube estar a competir fora concelho com a equipa sénior masculina de futebol”.
Porém, não se reflete neste exercício a Sporting Clube de Espinho – Futebol SDUQ, pois foi constituída no passado mês de junho. A época 2024/25 “será a última em que as contas do futebol sénior surgem englobadas nas contas do clube, devendo ser apresentadas autonomamente a partir da presente época e ano fiscal”.
Indicador financeiro positivo
O conselho fiscal do clube, no seu parecer, destaca o resultado positivo de 2.571,40 euros, apontando o indicador financeiro EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) ao atingir o o valor positivo de 5.301,91 euros.
No documento, o conselho fiscal realça que o passivo contabilístico total ascende a 369.755,67 euros e que “reduziu 11% face ao período homólogo”. “Uma evolução positiva, que deve persistir, nomeadamente porque o seu valor tão elevado não resulta de qualquer investimento patrimonial”, sublinha.
Diz, ainda aquele órgão do clube que “os rendimentos do exercício ascenderam a 1.083.662,69 euros, um acréscimo de 10% face à época transata” e que “existe, ainda, um adicional e relevante acréscimo de donativos de mais de cerca de 140.000 euros, sobretudo 124.000 euros na secção de futebol”, acréscimos de receitas que “têm como contrapartida um aumento de fornecimentos e gastos com pessoal”.
Também o conselho fiscal refere que “houve uma redução do total de empréstimos de elementos da direção, de um valor superior a 105.000 euros para 74.000 euros”, mas avisa que “continua a ser imprescindível abolir esta prática, muito desaconselhável”.
Por fim, destaca a entrega das certidões comprovativas de situação regularizada na Autoridade Tributária e na Segurança Social e que “permanece em liquidação o plano de reembolso da dívida à Segurança Social, herdada do Plano de Insolvência, com saldo a 30 de junho de 2025 de 14.601,55 euros”.
O relatório e as contas, segundo o conselho fiscal, “refletem de forma apropriada a atividade desenvolvida e a situação patrimonial do SC Espinho”, assim como “os preceitos legais e estatutários em vigor”.































